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Published : June 18, 2008 | Author : crispim
Category : Salmos | Total Views : 170 | Unrated

  

1 SENHOR, não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor.

2 Tem misericórdia de mim, SENHOR, porque sou fraco; sara-me, SENHOR, porque os meus ossos estão perturbados.

3 Até a minha alma está perturbada; mas tu, SENHOR, até quando?

4 Volta-te, SENHOR, livra a minha alma; salva-me por tua benignidade.

5 Porque na morte não há lembrança de ti; no sepulcro quem te louvará?

6 Já estou cansado do meu gemido, toda a noite faço nadar a minha cama; molho o meu leito com as minhas lágrimas,

7 Já os meus olhos estão consumidos pela mágoa, e têm-se envelhecido por causa de todos os meus inimigos.

8 Apartai-vos de mim todos os que praticais a iniqüidade; porque o SENHOR já ouviu a voz do meu pranto.

9 O SENHOR já ouviu a minha súplica; o SENHOR aceitará a minha oração.

10 Envergonhem-se e perturbem-se todos os meus inimigos; tornem atrás e envergonhem-se num momento.

 

O salmista Davi, na sua oração, demonstra duas coisas: 1ª) que ele reconheceu os seus erros, e; 2ª) que ele recorreu a quem podia livrá-lo.

Quando o salmista invoca a Deus como Senhor da sua vida, está implícito que ele é propriedade de Deus. Ou seja, o salmista ao anunciar que Deus é seu Senhor afirmou ser propriedade de Deus.

Como todos os que são tidos por filhos são repreendidos e castigados por Deus, a repreensão e o castigo era mais do que certo para o salmista Davi "Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho" Hb 12: 6.

Davi reconhecia a sua condição de servo, mas ao fazer o pedido do versículo um (não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor), ele esperava receber tratamento de filho. Somente os filhos são castigados e repreendidos pelos pais. Se o salmista foi recebido por filho, o tratamento já era esperado: correção e açoite.

O salmista sabia que não há como escapar do castigo e da repreensão de Deus, porém, ele esperava que Deus não o repreendesse na ira e que o castigo não se desse no furor. A ira e o furor de Deus são para aqueles que não lhe pertencem. A ira e o furor não se destinam aos filhos, mas a correção e a repreensão sim.

O que é destinado aos filhos? A misericórdia!

Quando o salmista se conscientizou de seus erros, a sua alma ficou 'enferma' e 'perturbada'. Ele sabia que receberia de Deus correção e açoite, porém esperava ser tratado com misericórdia. O salmista espera pela misericórdia, pois ele mesmo não conseguiria reverter a sua condição.

As escrituras nos revelam que todos quantos esperam no Senhor são bem-aventurados "Bem-aventurados todos os que nele esperam" Is 30: 18. Quando o salmista se expressa dizendo: "mas, tu, Senhor, até quando?", ele não está impaciente ou pressionando o seu Criador, antes demonstra que Davi esperará pacientemente a solução de Deus, pois somente esperando em Deus se é bem-aventurado.

Deus é imutável e é da vontade dele usar de misericórdia para com seus filhos; açoitar e repreender-los; conceder aos que nele esperam a bem-aventuranças. Sendo assim, a petição do salmista somente evidencia o que ele já esperava de Deus, e não que Deus fosse mudar os seus intentos após a oração.

Deus não muda por causa das nossas orações. Deus não agirá conforme o que é contrário a sua própria natureza. Um exemplo desta verdade verifica-se quando Cristo pediu em oração ao Pai que o livrasse do cálice, porém a vontade do Pai prevaleceu.

A oração não demove Deus dos seus propósitos. Qualquer e toda transformação somente ocorrerá no homem.

Se pedirmos em oração para que Deus tenha o culpado por inocente, jamais alcançaremos tal pedido.

Este salmo demonstra que a oração do salmista torna evidente o que ele precisamente esperava de Deus. Como o salmista conhecia o seu Senhor, ele sabia o que pedir e o que esperar.

Quando o salmista pede a Deus que se volte, ele evidencia a benignidade de Deus. Através dos seus pedidos o salmista ressalta o que o aproxima de Deus: a fé!

Desde o início do salmo ele reconhece ser fraco e que não tem méritos para conquistar por suas ações o favor de Deus. Logo, a confiança do salmista é que Deus o livrará por sua eterna benignidade.

O salmista bem sabia que a repreensão na ira e o castigado no furor levam o homem à morte. Este não é um tratamento àqueles que alcançaram o favor de Deus. O favor de Deus conduz a vida, porém a disciplina não pode passar daqueles que são recebidos por filhos Hb 12: 8.

O favor de Deus ao salmista é louvor à glória de Deus. Jamais o salmista teve em que se louvar, pois todos quantos se gloriam, devem gloriar-se em Deus que promove a salvação do homem.

Através do versículo cinco o salmista procura evidenciar o que promove a glória de Deus.  É a ação de Deus que promove a sua própria glória, e não as ações dos homens "Para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado..." (Efésios 1: 6).

Fazer o homem agradável para si é uma ação exclusiva de Deus, sem qualquer participação do homem. Quando o homem confia em Deus reconhece sua incapacidade, e é Deus quem faz todas as suas obras para louvor de sua graça e glória Is 26: 12.

O salmista pede a Deus misericórdia é aí que evidência que a benignidade de Deus em dar-lhe vida é a maior expressão de louvor à glória de Deus. Com base nesta idéia inicial o salmista questiona o fato de na sepultura não se ter lembrança de Deus. Seria o caso de acreditar que os mostos não têm consciência? Não! Não é esta a idéia transmitida pelo salmista.


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