1 NO SENHOR confio; como dizeis à minha alma: Fugi para a vossa montanha como pássaro? 2 Pois eis que os ímpios armam o arco, põem as flechas na corda, para com elas atirarem, às escuras, aos retos de coração. 3 Se forem destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo? 4 O SENHOR está no seu santo templo, o trono do SENHOR está nos céus; os seus olhos estão atentos, e as suas pálpebras provam os filhos dos homens. 5 O SENHOR prova o justo; porém ao ímpio e ao que ama a violência odeia a sua alma. 6 Sobre os ímpios fará chover laços, fogo, enxofre e vento tempestuoso; isto será a porção do seu copo. 7 Porque o SENHOR é justo, e ama a justiça; o seu rosto olha para os retos.
O salmista ficou indignado com a sugestão que lhe deram de empreender fuga. O salmista afirma confiar em Deus, e como aquelas pessoas tiveram a ousadia de recomendar que ele fugisse e se escondesse da mesma forma que fazem os pássaros?
As pessoas que deram a sugestão para que o salmista fugisse apresentaram a cidade de Jerusalém (vossa montanha), como a única alternativa de segurança. Estas pessoas pensavam estrategicamente e levaram em consideração a condição geográfica da cidade, por ser um altiplano e cercada de vales. Queriam desviar a confiança do salmista que estava em Deus para uma pretensa segurança baseada nas condições geográficas de uma montanha.
A posição geográfica do monte onde ficava a cidade de Jerusalém proporcionaria a qualquer rei da antiguidade uma larga vantagem em suas batalhas, principalmente nos quesitos defensivos e ofensivos. Tal posição oferecia a vantagem de se observar e conhecer a estratégia do inimigo de longe, sem mencionar que a montanha era um território conhecido do salmista.
A montanha do salmista proporcionava dois elementos essenciais quando em guerra: conhecimento do inimigo e conhecimento do terreno onde as batalhas seriam travadas.
As pessoas que deram a sugestão para fugir não consideravam a proteção divina, visto que eles não consideravam que o monte Sião, a montanha do salmista, pertence a Deus. Quando faz referência ao monte Sião, o local onde se situa a cidade do grande Deus, simplesmente a consideraram como sendo uma simples montanha.
Estas pessoas observaram as condições do salmista e passaram a considerá-lo fragilizado ante as circunstâncias que o cercavam. Diante do perigo iminente, consideravam que a única alternativa para o salmista era fugir e esconder-se como um pássaro.
Pensar estrategicamente, mensurando e ponderando as possibilidades humanas, poderia levar o salmista a deixar de confiar em Deus I Sm 23: 10- 11, mas, o salmista sabia que se Deus não guardar a cidade, em vão a sentinela vigia!
O salmista estava atento e compreendeu que a sugestão de fugir procedeu de corações ímpios. Que estas pessoas não possuíam a mesma visão que ele. O salmista compreendeu que a sugestão para fugir era uma seta lançada pelo ímpio.
Os retos de coração são aqueles que confiam em Deus. Qualquer sugestão que intente levar o reto de coração a deixar de confiar em Deus, será como uma flecha que procede do arco de um coração ímpio. Se o justo acatar a sugestão de deixar de confiar inteiramente no Senhor, é o mesmo que ser atingido por uma flecha mortal! "Por que temeria eu nos dias maus, quando me cercar a iniqüidade dos que me armam ciladas..." Sl 49: 5.
Observe que o salmista aponta os retos de coração como sendo o alvo dos ímpios.
Não é a religiosidade, a legalidade, o comportamento ou a moral que concede ao homem ter um coração reto, antes, os de coração reto diante de Deus são aqueles que nele confiam. Para alcançar a retidão no coração o homem precisa confiar somente no Senhor, que circuncida o coração do homem, desfazendo a condição de pecado herdada em Adão. |