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Published : November 12, 2008 | Author : crispim
Category : Epístola aos Romanos | Total Views : 66 | Rating :

  

Introdução

Alguns dos argumentos de Paulo se apóiam nos elementos da lógica quando da defesa do evangelho. Ex: "Porque a circuncisão é, na verdade, proveitosa, se tu guardares a lei; mas, se tu és transgressor da lei, a tua circuncisão se torna em incircuncisão. Se, pois, a incircuncisão guardar os preceitos da lei, porventura a incircuncisão não será reputada como circuncisão?" Rm 2: 25- 26.

A frase: "A circuncisão é proveitosa se o circuncidado guardar a lei", é uma proposição composta em decorrência do conectivo 'se'. O conectivo 'se' combina idéias simples e confere valores lógico à proposição, podendo este valor ser verdadeiro ou falso, dependendo da operação introduzida pelo conectivo.

Paulo demonstra aos cristãos em Roma que os judeus precisariam cumprir cabalmente a lei para que a circuncisão fosse válida diante de Deus. Como é impossível ao homem cumprir a lei, segue-se que a circuncisão dos judeus é inócua, ou melhor, sem valor algum. O ensino de Paulo está vinculado à duas considerações seguintes:

a) tropeçar em um único quesito da lei é o mesmo que não cumprir a lei Tg 2: 10, e;
b) a natureza da lei é incompatível com a natureza do homem: ela é espiritual e o homem carnal Rm 7: 14.

Ao considerarmos que a proposição: 'a circuncisão é proveitosa se o circuncidado guardar a lei', é verdadeira, segue-se que, se um 'incircunciso' guardar a lei, ele será reputado pelos judeus como 'circunciso'. A argumentação de Paulo estabelece uma equivalência lógica entre as proposições.

Paulo apresenta uma equivalência lógica na sua argumentação para demonstrar que judeus e gentios são iguais diante de Deus.

Em qualquer interpretação não podemos contrariar ou adaptar a idéia presente nas proposições segundo perspectivas humanas.

Quando Jesus disse: "Entrai pela porta estreita...", não podemos contrariar a idéia dizendo que 'a porta não é estreita'. Alegar que 'a porta não é estreita' não é correto, principalmente quando se introduz elementos que não são citados no texto. "A soberba do homem faz com que o caminho fique estreito" não é uma idéia presente no texto.

Jesus não apresentou elementos humanos em suas declarações. Ele falou acerca do caminho (é estreito), sem qualquer referência ao comportamento dos seus ouvintes, o que demonstra que não podemos considerar este elemento na hora de interpretarmos as suas declarações.

Se considerarmos que é o homem que faz 'o caminho estreito', como podemos entender a declaração de Cristo: "Eu sou o caminho..."? Observe que não há equivalência lógica entre as declarações de Cristo (Eu sou o caminho..., e; o caminho é estreito)e a interpretação de que é o homem quem faz o caminho estreito.

Observe que entre as declarações de Cristo (Eu sou o caminho...) e a interpretação de que o homem é quem faz o caminho estreito não há equivalência.

Jesus apresentou várias definições acerca da sua pessoa: Eu sou o bom pastor; Eu sou a porta; Eu sou o caminho; Eu sou a verdade e a vida, etc. Qualquer explicação que contrarie o que Jesus disse, deve ser considerado anátema, visto que os falsos profetas introduzem heresias encobertamente heresias que negam a pessoa de Cristo.

Do capítulo três em diante, a carta de Paulo aos Romanos apresenta inúmeras proposições, e muitas serão introduzidas pelo conectivo 'se', estabelecendo uma equivalência lógica. Ao utilizar o conectivo 'se', Paulo não introduz uma dúvida ou uma 'possibilidade de', antes estabelece uma equivalência lógica entre a argumentação e uma proposição simples.

A argumentação: "Mas se a nossa injustiça faz surgir a justiça de Deus, que diremos?" Rm 3: 5, tem por base a proposição: 'Deus não é injusto' Rm 3: 6.

Com base na proposição: "Deus é justo", Paulo estabeleceu uma nova proposição: "Deus não é injusto", e dá sustentação à sua argumentação: "a nossa injustiça faz surgir a justiça de Deus".

Agora, se quisermos estabelecer uma argumentação semelhante a de Paulo (a nossa injustiça faz surgir a justiça de Deus), não podemos estabelecer uma proposição  'Deus não é justo', da mesma maneira que contrariaram o que Jesus disse 'o caminho não é estreito'.

 

1 QUAL é, pois, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão?

Após demonstrar que não há diferença entre judeu e gentil, pois ambos são homens e culpáveis diante de Deus, Paulo responde uma das questões que poderia ser levantada por seus destinatários: Qual é a vantagem de ser judeu, se não há diferença alguma quanto ao quesito salvação?

2 Muita, em toda a maneira, porque, primeiramente, as palavras de Deus lhe foram confiadas.

Há uma grande vantagem em ser judeu: a palavra de Deus foi confiada primeiramente a eles. Deus escolheu o povo de Israel para uma missão: tornar conhecido o nome de Deus sobre a face da terra, e em contra partida foi confiado a eles as Escrituras. Deus escolheu para o povo para uma missão, mas a salvação é individualizada.

Cada indivíduo pertencente à comunidade de Israel deveria circuncidar o coração conforme a determinação de Moisés, pois Deus não escolhe dentre os homens quem será salvo, mas escolhe quem haverá de desempenhar uma missão.

3 Pois quê? Se alguns foram incrédulos, a sua incredulidade aniquilará a fidelidade de Deus?

Alguém poderia questionar ainda: Qual a vantagem de ter recebido da palavra de Deus e não ser salvo? Paulo conclui: "Ora, não ser salvo é uma questão de incredulidade, e não de infidelidade da parte de Deus". A incredulidade do homem não influencia os atributos de Deus: ele permanece fiel, mesmo quando o homem não crê em sua palavra.

4 De maneira nenhuma; sempre seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso; como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras, E venças quando fores julgado.

Deus é verdadeiro em essência. Naturalmente Deus é verdadeiro e todos os homens mentirosos.

Paulo não fez referência a um comportamento reprovável dos homens: a mentira. Ele simplesmente contrapõe a natureza divina com a natureza humana decaída. Ou seja, nem todos os homens vivem contando mentiras, mas todos os homens são mentirosos em sua essência, pois deixaram de ser participantes da natureza divina, que é a verdade. O pecado de Adão causou esta separação entre Deus e os homens.

Paulo demonstra que a declaração: "Deus é verdadeiro sempre, e todo homem mentiroso", é conforme as Escrituras. Ele cita o Salmo cinqüenta e um, versículo quatro para demonstrar que Deus é verdadeiro e todo homem mentiroso.

Observe que o Salmo 51 demonstra um salmista que conhece as suas transgressões; ele reconhece que foi formado em iniqüidade; que precisa de Deus para ser limpo no íntimo, visto que ele ama a verdade no íntimo. Quando há uma citação das Escrituras no N. T., devemos observar todo o texto, e não somente o versículo citado.

Reconhecer que Deus é verdadeiro e que os homens são mentirosos é um louvor que não podemos nos furtar a conceder ao nosso Criador.

5 E, se a nossa injustiça for causa da justiça de Deus, que diremos? Porventura será Deus injusto, trazendo ira sobre nós? (Falo como homem.)

Quando consideramos que 'toda ação tem uma reação', chegamos à questão acima: a nossa injustiça é causa da justiça de Deus. Que argumentos utilizaremos quando ficar demonstrado que as injustiças DOS HOMENS são causa da justiça divina? Deus é injusto? A resposta é taxativa: De maneira nenhuma!

Desde o primeiro capítulo da carta aos Romanos Paulo fala dos homens que detém a verdade em injustiça, ou seja, os homens que rejeitam a verdade do evangelho. Paulo demonstra que o argumento que ele estava utilizando é semelhante ao homem descrito anteriormente (Falo como homem).

Paulo demonstra que o argumento utilizado é pertinente ao homem objeto de seu discurso: o homem natural. Paulo, apesar de ter sido justificado em Cristo (livre da ira), quando da argumentação utiliza o pronome na primeira pessoa do plural "nós" para falar da ira de Deus. Mas, como ele e os cristãos já não eram objetos da ira de Deus, Paulo destaca que está falando como homem, ou seja, ele estava falando como se ainda estivesse na sua condição de homem carnal e sujeito da ira de Deus.

6 De maneira nenhuma; de outro modo, como julgará Deus o mundo?

Deus não é injusto ao trazer ira sobre os injusto. Se alguém pensa diferente que o apóstolo, que apresente outro modo que Deus pudesse exercer a sua justiça. Qualquer tese apresentada deve estar em conformidade com as Escrituras.

7 Mas, se pela minha mentira abundou mais a verdade de Deus para glória sua, por que sou eu ainda julgado também como pecador?

Este versículo é um contra ponto ao versículo cinco. Naquele, a injustiça do homem que rejeita a verdade faz surgir a ira de Deus, e neste, o homem que reconhece o seu estado precário em mentira, recebe em abundância a graça de Deus em verdade.

No versículo cinco, Paulo fala de uma condição pertinente aos homens sem Cristo, e neste versículo, há uma condição pertinente à quem está em Cristo.

Se pela (minha) mentira, ou seja, condição de pecado que separou o homem da verdade que há em Deus, a verdade de Deus abundou mais em verdade para glória de Deus, Paulo questiona o motivo de ele ainda ser julgado como se fosse pecador.

É possível continuar sendo pecador após tornar-se participante da verdade abundante concedida por Deus? Se no versículo cinco questionavam a justiça de Deus por ela ser exercida sobre a injustiça dos homens, porque julgavam o apóstolo, e não Deus, quando sabiam que sobre ele a graça de Deus era abundante?

8 E por que não dizemos (como somos blasfemados, e como alguns dizem que dizemos): Façamos males, para que venham bens? A condenação desses é justa.

Paulo questiona os seus possíveis interlocutores: 'Vocês me julgam como se eu fosse pecador pelo fato de eu não dizer: façamos males, para que venham bens?'. Ora, quem diz 'façamos males, para que venham bens', receberá a condenação merecida.

Observe o exercício de interpretação bíblica utilizado nos versículos quatro e sete.

No versículo quatro Paulo enfatiza que todo homem é mentiroso. Ora, todos sabemos que nem todos os homens vivem da mentira. Paulo estaria falando do comportamento pernicioso, que é a mentira, ou da natureza do homem que não é conforme a natureza divina? Perceba que o salmo 51 demonstra que Deus se agrada da verdade no intimo do homem, ou seja, para que o homem seja verdadeiro há a necessidade de que seja limpo por Deus.

Após estabelecermos que a mentira do versículo quatro, não diz da mentira que os homens contam aos seus semelhantes, temos elementos para afirmar que a referência que Paulo faz à mentira no versículo sete, diz da sua antiga natureza segundo o pecado (por não ser participante da natureza divina que é a verdade, o homem é mentiroso).

Após demonstrar que onde havia pecado (mentira), abundou a graça (a verdade de Deus para a sua glória), Paulo coloca em xeque o julgamento que estavam fazendo de sua pessoa.

 

Introdução

Antes de prosseguirmos, faz-se necessário esclarecermos dois assuntos acerca de alguns temas que iremos estudar no decorrer do capítulo três da carta aos Romanos.

Em certa publicação brasileira, ao falar da justificação pela fé, o escritor recomenda um cuidadoso estudo dos versos 21 ao 31, arrematando que, nestes versículos estão contidos toda a doutrina fundamental do evangelho. Não me oponho a esta argumentação, mas não posso concordar com a argumentação seguinte: "Quando o mundo está com a boca fechada, condenável (mas não condenado) perante Deus, então é que Deus revela uma justiça divina para os homens..." McNair, S. E., A Bíblia explicada - 4ª Ed. - Rj: CPAD, 1983, Pág 407, Cap 3, § 4º.

Segue-se a pergunta: O mundo é 'condenável' ou 'está condenado' perante Deus?

A bíblia é clara ao demonstrar que o mundo já está condenado perante Deus, mas quanto às obras, o mundo é condenável, visto que as ações dos homens ainda serão submetida à juízo.

Quando não se estabelece distinção entre a condenação em Adão (passado) e a retribuição decorrente das obras (condenável - futuro), não conseguiremos entender as argumentações paulinas.

Jesus demonstrou que o mundo está condenado, conforme se lê: "Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não crê no nome do unigênito Filho de Deus" Jo 3: 18.

Onde o mundo foi condenado? O mundo foi condenado em Adão, conforme Paulo descreve: "Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens, para condenação..." Rm 5: 18. Por causa da ofensa de Adão, Deus estabeleceu o seu juízo e todos os homens tornaram-se condenados diante de Deus.

Esta condenação deu-se lá no Éden, e toda a humanidade esta debaixo desta condenação (passado).  A condenação em Adão comprometeu a natureza humana: o homem deixou de ser participante da natureza divina , que é vida, e passou a condição de morto, que é a separação da vida que há e é proveniente de Deus.

Agora, se o mundo está condenado, porque o mundo é condenável diante de Deus? De qual julgamento o apóstolo faz referência? O que será julgado?

Os versículos dezenove e vinte do capítulo três demonstra que o mundo é condenável (futuro) diante de Deus, visto que ninguém será justificado diante dele pelas obras da lei. Ou seja, quando se fala de obras o mundo é condenável, porém todos já estão condenados em Adão "...toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus. Pois isso ninguém será justificado diante dele pelas obras da lei" Rm 3: 19- 20.

Observe que o apóstolo Paulo desde o versículo dezoito do capítulo um, aponta as obras reprováveis dos homens que detém a verdade em injustiça, demonstrando que Deus recompensará a cada ser humano segundo as suas obras Rm 2: 6, e neste juízo não haverá acepção de pessoas Rm 2: 11.

Paulo aponta um juízo futuro, demonstrando que os gentios serão julgados, mesmo não tendo recebido um código de lei e perecerão, e os judeus, por terem um código, pela lei serão julgados, e como pecaram, também perecerão Rm 2: 12.

Este julgamento que será estabelecido quanto às obras, também trará ao conhecimento de todos os homens o juízo estabelecido em Adão, conhecerão que estão condenados diante de Deus "...entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus" Rm 2: 5.

O julgamento, quanto às obras, será realizado no tribunal do Trono Branco, conforme lemos em Apocalipse: "Os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. O mar entregou os mortos que nele havia, e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia, e foram julgados cada um segundo as suas obras" Ap 20: 12- 13.

Quando do Tribunal do Grande Trono Branco, os homens conhecerão que estão condenados em Adão, ou seja, será manifesto a eles o juízo de Deus, e quanto ao julgamento das obras, receberão o que entesouraram para si: ira e indignação Rm 2: 5 e 8.

Os salvos em Cristo também serão julgados quanto às obras no tribunal de Cristo, onde receberemos o que houvermos feito por meio do corpo... II Co 5: 10. Por isso o apóstolo Paulo fala que cada um será recompensado segundo as suas obras, tantos salvos, quanto perdidos Rm 2: 6.

Jesus disse que o mundo está condenado, e jamais podemos contrariar a sua afirmação conforme McNair o fez, ao dizer: "..mas não condenado". O mundo está condenado, e ainda é condenável por causa de suas obras más, visto que as suas obras irão a julgamento, e será aquilatado a recompensa de cada um.


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