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Qual é a meta dos cristãos? Qual a inclinação daqueles que professam a Cristo?
Esta duas perguntas surgiram após a leitura deste seguinte parágrafo do livro 'Lei, Graça e Santificação' do Dr. Russell P. Shedd: "Ainda descobriremos, se estivermos inclinados a isso, muitas práticas e atitudes que devem ser mudadas, caso a nossa meta seja sermos 'santos e irrepreensíveis perante ele' (Ef 1. 4). Mas mudar requer disciplina em torno de alvos escolhidos de joelhos e com a Bíblia aberta" Sheed, Russell P., Lei, Graça e Santificação, 2ª Ed., editora Vida Nova, pág. 103.
O Dr. Shedd aponta como meta dos cristãos serem santos e irrepreensíveis perante Deus, e cita as seguintes palavras contidas na carta de Paulo aos Efésios capítulo um, versículo quatro: "santos e irrepreensíveis perante ele" (Ef 1. 4).
Porém, se observarmos o que estabelece Efésios 1: 4, fica claro que a santificação e a irrepreensibilidade não é uma meta que os cristãos devam alcançar, antes é uma condição que pertence àqueles que estão em Cristo segundo a eleição "Pois nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele" (Efésios 1: 4).
Se a santificação é segundo a eleição, exclui-se qualquer outra via, ou seja, a santificação não é uma meta que se deva alcançar através de mudanças de práticas e atitudes.
A santificação não é alcançada através de mudanças de hábitos, atitudes e praticas, pois a Bíblia diz que os cristãos foram novamente criados em verdadeira justiça e santidade "... que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade" (Efésios 4: 24). Também demonstra que Cristo se entregou pelo seu corpo, que é a igreja, para santificá-la pela palavra, a fim de apresentar os cristãos sem mancha ou ruga: santos e irrepreensíveis (Efésios 5: 26- 27).
Ora, o que Jesus propôs fazer e entregou-se para realizar agora é uma meta para os cristãos? A obra de Cristo não é perfeita? Os cristãos já não são santificados pela fé em Cristo? (Atos 26: 18).
Num primeiro momento achei que o Dr. Shedd chegou a esta conclusão após ler Hebreus 12: 14 que diz: "Segui a paz com todos, e a santificação; sem a santificação ninguém verá o Senhor" (Hebreus 12: 14). Para um leigo é possível concluir através deste versículo que a santificação é uma meta, porém, para alguém que investiga as escrituras, percebe-se que só é possível chegar até Deus através de Cristo: "Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim" (João 14: 6).
Ao ler II Timóteo 2: 22, fica demonstrado que somente aos cristãos é possível seguir a Paz, ou seja, juntamente com aqueles que tem um coração puro por invocarem a Deus os cristãos devem seguir a Paz (segui a paz com todos). De que paz o escritor aos Hebreus falou? Que os cristãos devem ter paz com todos os homens, ou que, com todos que seguem a Paz, que é Cristo, os cristãos devem em união segui-Lo?
Somente os cristãos seguem a Paz e a Santificação que é Cristo. Seria um contra senso ter paz com todas as pessoas, se há condição para isto: se possível for "Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens" (Romanos 12: 18). Ora, no que depende dos cristãos é para ter paz com todos os homens, porém, para seguir a Paz que excede a todo entendimento, que é Cristo, para esta recomendação não há a restrição "se possível for", antes deve seguir com todos que tem um coração puro e invocam ao Senhor a paz, a justiça, a fé, o amor, etc.
É pela vontade de Deus que os cristãos foram santificados através da oferta do corpo de Cristo (Hebreus 10: 10). É nesta vontade: "Sede santos, porque Eu sou santo" que os cristãos foram santificados pela oferta do corpo de Cristo "Sereis para mim santos, porque eu, o Senhor, sou santo, e vos separei dos povos para serdes meus" (Levítico 20: 26).
Deus não deu uma ordem impossível: "Sede santo", antes, expressou a sua vontade, e ofertou o corpo de Cristo. A palavra de Deus é expressão da sua vontade, e por isso ele disse: Haja luz, houve luz. Ele disse: 'Sede santo', e é através da sua palavra que os cristãos são santificados (Efésios 5: 26- 27), pela oferta do corpo de Cristo, o Verbo encarnado.
Deus é o Deus da providência, e Ele proveu o Cordeiro imaculado pelo qual os homens são santificados. Abrão é um exemplo clássico, pois Deus disse: "SENDO, pois, Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o SENHOR a Abrão, e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso, anda em minha presença e sê perfeito" (Gênesis 17: 1). Ora, bastava Abrão andar na presença do Senhor (crer) que a condição de perfeição seria efetiva.
Deus não deu uma ordem a Abrão como meta para ele alcançar a perfeição, antes demonstrou que, caso ele andasse na presença do Todo-Poderoso, haveria de ser perfeito. Logo após lemos, "E creu ele no SENHOR, e imputou-lhe isto por justiça" (Gênesis 15: 6).
Esta é a vontade de Deus para os que descansam sob Sua providência "Perfeito serás, como o SENHOR teu Deus" (Deuteronômio 18: 13).
Por que para Russell a santificação é uma meta para os cristãos? Porque ele entende que o pecado decorre de um processo de aprendizagem:"É assim que aprendemos a pecar: linguagem obscena, comentários desnecessários prejudiciais, usar o nome de Deus em vão, tornam-se hábitos pela pratica dentro de um ambiente onde ninguém cria objeção alguma" Sheed, Russell P., Lei, Graça e Santificação, 2ª Ed., editora Vida Nova, pág. 99.
O erro está em acreditar que é possível 'aprender pecar' (É assim que aprendemos a pecar). Para quem acredita que é possível 'aprender pecar', a inclinação para o pecado resume-se em hábitos, condutas, práticas, falhas de caráter, formação de caráter, o ambiente onde se vive, etc. Para o posicionamento de que o pecado deriva de um processo de aprendizagem, o meio e o tempo são agentes que exercem influencia direta na santificação .
A bíblia diz que a inclinação da carne, por ser sujeita ao pecado, é morte (Romanos 8: 6), e isto independe de práticas, condutas e hábitos.
Não importa qual seja o comportamento dos servos do pecado, se bom ou ruim, o salário é o mesmo: a morte! É de conhecimento geral que há servos do pecado que são regrados, decentes, comportados, prestativos, carismáticos, cordatos, flexíveis, disciplinados, religiosos, etc., porém, o salário é a morte (ex: monges, padres, ascetas, filósofos, etc) . Também há servos do pecado que são depravados, irreconciliáveis, desobedientes, avarentos, maldosos, soberbos, detratores, presunçosos, etc., mas o salário deles é a morte. |